Como transformar uma ideia num negócio?

Se é um empreendedor nato, não terá grandes dificuldades em ter ideias. O desafio é antes perceber quais são as ideias que têm realmente potencial e nas quais vale a pena investir o seu tempo e dinheiro.

A questão é que nem todas as ideias são na realidade boas ideias. No momento em que surgem, até podem parecer excelentes, mas a verdade é que apenas uma parte das “ideias de génio” tem realmente potencial de tornar-se num negócio. Afinal, começar e gerir um negócio é algo extremamente exigente e que exige um elevado nível de responsabilidade e compromisso e até mesmo a melhor das ideias pode cair por terra quando um empreendedor se vê confrontado com os obstáculos do mercado ou até com as exigências dos clientes.

Por outro lado, uma ideia pode ser de tal forma apaixonante, que pode tornar-se difícil para um empreendedor realizar uma análise pragmática e distanciada ao potencial da sua ideia. Porém, por todos os riscos que acarreta – profissionais, financeiros, pessoais –  uma ideia deve ser muito bem analisada antes de se tornar num negócio.

E se tivermos em conta que uma percentagem considerável de negócios falha nos primeiros cinco anos, entendemos a necessidade de perceber logo no início se estamos perante uma boa ideia ou se, pelo contrário, estamos a arriscar demasiado em algo que não tem pernas para andar.

 

Saber é poder

Aqui ficam alguns conselhos para ajudá-lo a separar as boas ideias daquelas que simplesmente não valem a pena (ou que podem ser guardadas na gaveta até o momento certo chegar).

Nesta fase, ainda não estamos a falar de um plano de negócios completo, mas sim de um documento que reúna informação determinante para perceber o potencial da sua ideia. O que tem mesmo de ser capaz de responder:

  • É apaixonado pela sua ideia? Pergunte-se por que motivo quer criar um negócio à volta dela. Qual é a sua missão? Sem um propósito claro, um negócio está condenado a falhar. Criar e sustentar um negócio é uma tarefa enorme e essa paixão e sentido de missão vão ser os seus apoios ao longo de todo o processo.

 

  • Que problema está a resolver? As pessoas compram um produto ou serviço, sobretudo porque ele é capaz de resolver-lhes um problema. Pode ser um problema comum ou exclusivo de um nicho – o que é importante é que perceba se é realmente um problema para as pessoas e não um problema que só você encontra na tentativa de justificar a sua ideia.

 

  • Quem tem este problema está disposto a pagar pela sua solução? Depois de identificar o problema, tem de saber quem são os potenciais clientes, ou seja, as pessoas que têm efetivamente esse problema. Saber quem é o seu potencial cliente e onde o encontrar é vital para o sucesso do seu negócio. Mais do que isso, é preciso perceber se as pessoas estão dispostas a pagar pela sua solução. Por vezes, um problema pode ser de tal forma um nicho, que a sua resolução não é rentável. Ou resolvê-lo pode ser de tal forma dispendioso que as pessoas preferem viver com esse problema a pagar o valor que propõe como solução.

 

  • Como é que neste momento os seus potenciais clientes resolvem o problema? Aqui dever perceber se já existe concorrência e que escolhas têm neste momento os consumidores. É também importante perceber se a sua solução é melhor e o que a distingue de outras semelhantes.

 

  • Está a ser realista? Por mais apaixonado que seja pela sua ideia (e pela ideia de ter um negócio), se não tiver uma visão realista do mercado ou do potencial de lucro do seu negócio, não tem a base que o sustentará de forma segura e que o conduzirá ao sucesso.

Se a sua ideia não passou neste teste de 5 perguntas, o cenário não é muito animador. É verdade que há negócios que triunfam contra todas as expetativas, mas lembra-se do último ponto? Pois, ser realista é mesmo importante! Quando mais preparado e “pés na terra”, maiores serão as hipóteses de ter um negócio capaz de crescer de forma sustentável.

No caso de a sua ideia se ter afirmado nestas perguntas básicas, está na altura de passar ao nível seguinte e perceber se ela tem o que é preciso para se tornar um negócio a sério.

  • Quem são os concorrentes? Dever ser capaz de responder por que motivo um consumidor o deve preferir a si em relação aos seus concorrentes e de que forma se distingue deles. Saiba tudo sobre os seus concorrentes: preços que praticam, maturidade no mercado, relação com o cliente, pontos fortes e fracos. Conhecer os seus concorrentes vai também ajudá-lo a perceber mais sobre si próprio e sobre a sua ideia em relação ao mercado.

 

  • Quais as caraterísticas? Caso seja possível, apresente um protótipo do seu produto. Se ainda não o tiver, use imagens para dar uma ideia do seu aspeto. No caso de tratar-se de um serviço, descreva os seus benefícios e o que está incluído na sua compra. Quanto mais tangível for a ideia que apresenta, mais realista será o feedback que vai receber.

 

  • O que dizem as pessoas que não gostam do seu produto? Quando se está a pensar começar um negócio é fácil ter feedback positivo porque normalmente começamos por apresentar a ideia a familiares e amigos, que podem não ser as melhores pessoas para nos dar uma perspetiva realista e honesta acerca da nossa ideia. É sempre bom começar pelo seu círculo mais chegado (até porque provavelmente, estará mais à vontade nessas primeiras vezes em que apresentar a ideia), mas é também muito importante trabalhar a ideia com pessoas que não a acham particularmente boa e que fazem perguntas incomodativas acerca da sua consistência. Podemos aprender muito com o feedback negativo. A ideia não é desmotivar-se, mas aprender e evoluir. Pergunte o que não é tão bom na ideia, quais os pontos negativos e como pode melhorar. Aproveite para melhorar os seus argumentos de venda, o modelo de negócio ou o próprio produto.

 

  • Quanto lhe vai custar? Faça as contas e perceba quanto lhe vai custar criar o seu negócio. Faça um levantamento (realista, mesmo que “doa”) de todas as despesas: renda, equipamento, software de gestão, publicidade, pessoa, etc. Só com uma ideia rigorosa das despesas é que pode pensar em pedir o apoio do banco ou dos investidores que precisa para transformar a sua ideia num negócio lucrativo.

 

O objetivo de começar com estas perguntas é pô-lo a pensar realmente na aplicação prática da sua ideia. Sem perder muito tempo nem investir muito dinheiro, este plano inicial – que também não tem de ser formal e pode ser feito no seu caderno – vai dar-lhe uma noção mais clara do verdadeiro potencial da sua ideia.

Se algumas destas questões o fizeram perceber que ainda não está preparado para arrancar com um negócio, não significa que tem de fechar a porta à sua ideia. Se os custos são demasiado altos, tente encontrar formas de os baixar. Se já existe muita concorrência, tente perceber de que forma se pode distinguir. Ouça, aprenda, repense.

Depois de testar a sua ideia através destas perguntas, estará mais maduro para dar o passo seguinte e transformá-la no negócio dos seus sonhos.

Qualquer que seja o tipo de crítica que recebe – construtiva ou totalmente infundada – pode usar a experiência para aprender e fortalecer a sua imagem junto dos clientes e seguidores. Aproveite cada comentário negativo para melhorar a sua estratégia de redes sociais, fortalecer a sua equipa e criar envolvimento com os clientes.