Como criar uma empresa passo a passo

Criar uma empresa é todo um processo que implica mais do que o simples preenchimento de impressos. Há todo um  conjunto de pressupostos inerentes, que vão condicionar o seu funcionamento e sucesso.

Seja qual for o motivo – desejar ganhar mais dinheiro, querer ser o próprio patrão, alcançar o sucesso, aplicar recursos disponíveis –, todos os dias há pessoas que decidem criar negócios.

Não pense que ser empreendedor é um dom inato e um título concedido a espécies únicas dotadas de características raras. Qualquer pessoa que que tenha uma boa ideia ou tenha destacado uma oportunidade de negócio, e disponha de um mínimo de recursos para pô-la em prática, pode criar a sua empresa com êxito. Sempre com uma ideia básica em mente: persistência.

Se deseja criar um negócio próprio, e antes de analisar que trâmites administrativos, fiscais e laborais deve cumprir, saiba que, desde o primeiro minuto, é imperativo reunir dois fatores:

  • ter uma ideia – o embrião a partir do qual se desenvolve o projeto empresarial, e que deve ser realista, viável e ir de encontro às necessidades do meio envolvente;
  • ter um mercado que acolha o produto ou serviço –, constituido por clientes dispostos a pagar por eles.

Feito o “check” nestes dois imperativos, está na hora de pôr mãos à obra, com a ajuda do nosso guia de criação de empresas:

#1 Desenvolver um plano de negócio   

Detetada a ideia e/ou oportunidade de negócio – não é necessário inventar algo novo; basta olhar à sua volta e descobrir uma necessidade que ainda não tenha sido satisfeita – deve analisar se a mesma é válida e viável através de um plano de negócio. Tido como o instrumento que mais facilmente o aproxima do verdadeiro potencial da sua ideia, este instrumento não é mais do que a sua ideia transposta para o papel e deve responder a questões como “que produtos ofereço?”; “de que modo?”; “quem são os destinatários?”; e “que estrutura necessito?”.

Nesta fase, e dado que o plano de negócio vai funcionar como o seu “cartão de visita” perante bancos, fornecedores, investidores, clientes ou instituições, deve ser capaz de concretizar e desenvolver a ideia de negócio de forma estruturada e ordenada. Só assim poderá comunicar com eficácia aquilo que pretende realizar.

Não basta ter uma boa ideia de negócio. Deve certificar-se se é possivel realizar um projeto empresarial rentável a médio e longo prazo, sendo a análise da viabilidade a principal função do plano de negócio.

#2 Elaborar um plano de marketing 

Detetar necessidades no mercado não é suficiente para assumir que tem público para o seu produto. É necessário que os clientes tenham recursos e, acima de tudo, intenção efectiva de comprar.

É nesta fase que a famosa análise SWOT, tida como uma avaliação integrada das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da nossa empresa, deve ter lugar, com destaque para a análise da concorrência.

Aspectos como a distribuição – conjunto de actividades que gerem a transferência dos produtos desde o produtor ao consumidor -, o preço a praticar e os meios de promoção também devem ser estudados/definidos aquando da elaboração do plano de marketing.

#3 Empreender um plano de operativo 

O investimento inicial da empresa é um assunto sobre o qual, enquanto futuro empresário, deve ponderar adequadamente. Aspectos como a aquisição do equipamento adequado e a escolha e adaptação das instalações têm, por norma, grande influência no sucesso do negócio, pelo que é essencial avaliar cuidadosamente os montantes que este investimento envolve.

Contar com bons fornecedores é outro tópico de grande importância para a implementação e funcionamento de uma empresa no mercado, razão pela qual é fundamental decidir o que é que a empresa vai fazer directamente e, por oposição, que produtos ou serviços irá subcontratar. Numa fase inicial, e de forma a poder concentrar-se no objetivo principal do negócio, pode ser produtivo recorrer a serviços administrativos e de contabilidade externos.

#4 Estabelecer um plano de Recursos humanos

É comum achar que a planificação dos recursos humanos é uma questão que pode ser abordada quando a empresa já estiver criada, mas é um erro descurá-la, deixando-a para uma fase posterior do processo. Basta pensar que a equipa de trabalho é o principal ativo do negócio quando nasce. Antecipar as necessidades e dificuldades respeitantes a este a aspecto, com a resposta a questões como “como organizar os recursos humanos?”, “quem somos e o que fazemos?”, “que funções ficam por realizar?”, e tipos de contrato são cruciais para o sucesso de uma empresa.

#5 Preparar um plano económico e financeiro

Analisar uma ideia de negócio não pode resumir-se a fazer contas “por alto”. Para garantir que tudo bate certo desde o início, há que traçar um plano global que contemple todas as áreas da empresa e investimentos a realizar em cada uma. É, por isso, fundamental, começar por responder à pergunta “quanto custa arrancar?”.

Tendo em consideração o montante de capital necessário para fazer face às despesas de arranque e funcionamento da actividade, o passo seguinte passa por inteirar-se dos mecanismos de financiamento existentes e disponíveis, da melhor estratégia de financiamento dada a natureza e dimensão do negócio, bem como da capacidade da futura empresa para fazer face às suas obrigações financeiras.

Analisadas todas estas questões, tempo de efetuar uma previsão dos custos que terá de suportar mensalmente e, a partir destes, prever que receitas serão necessárias para cobrir, no mínimo, os custos fixos. Como se costuma dizer, não basta saber quanto custa montar um negócio; há que saber também quanto custa mantê-lo.

#6 Organizar aspetos jurídicos

Quando chega finalmente a altura de formalizar uma empresa, dúvidas como “que forma jurídica me convém?”; “que passos devem ser seguidos para constituir a empresa?”; e quais as minhas obrigações perante o Estado ou a Segurança Social?” surgem frequentemente.

Dado que a escolha da forma jurídica da empresa – deve decidir se quer desenvolver a sua empresa sozinho ou em conjunto com outras pessoas –  vai determinar o seu modelo de funcionamento desde o arranque e tem implicações tanto para si, enquanto empresário, como para o futuro negócio, a opção por determinado estato juídico é crucial. Opte por aquele que valorize os pontos fortes da sua futura empresa, tendo em atenção as características que melhor se adaptem às suas expectativas de desenvolvimento.

Descritos, passo a passo, e de forma resumida, os componentes chave de criação de uma empresa, importa salientar que iniciar um negócio próprio é algo mais do que simplesmente cumprir trâmites administrativos, fiscais e laborais. Dito de outra forma, não basta dirigir-se ao balcão Empresa na hora e esperar que, como por magia, a sua empresa de sucesso nasça. Seja persistente e não desista face às primeiras dificuldades. Há histórias de sucesso nas quais, inicialmente, ninguém acreditava.

Para saber mais sobre o processo de criação de uma empresa, consulte o manual Criar e Consolidar Empresas (G)Locais passo a passo e boa sorte.